Por Patrícia Benassi Fagundes
Supervisionado por Marcos Almeida Prado (Kiko)
Nos últimos tempos a indústria da biotecnologia da reprodução animal vem sofrendo importantes mudanças com a chegada da produção in vitro de embriões. A técnica permitiu a obtenção de um grande avanço genético através da rapidez da produção de descendentes, aumentou o potencial de fêmeas de alto valor genético, diminuiu o intervalo entre gerações e permitiu a produção de embriões de doadoras portadoras de infertilidade, além de ser uma ferramenta de suporte para outras biotécnicas da reprodução como a clonagem.
A PIV é utilizada em diversos países, porém é no Brasil que se encontra um grande número de embriões bovinos gerados a partir deste método.
Esta técnica consiste na produção de embriões por métodos laboratoriais que mimetizam todas as condições fisiológicas da vaca durante a ovulação, fecundação e o desenvolvimento embrionário.
A técnica se inicia com a aspiração dos ovários da doadora através do aparelho de ultrasonografia que coletará os oócitos contidos dentro do folículo ovariano. Em um ambiente laboratorial, esses oócitos passam por um processo de maturação in vitro (MIV), depois os espermatozóides sofrem uma capacitação in vitro antes da fecundação, em seguida ocorre a fertilização in vitro (FIV), ou seja, a união do gameta masculino (espermatozóide) com o gameta feminino (óvulo), feito isso a próxima etapa é a do cultivo in vitro (CIV), cujo ambiente (temperatura, umidade e quantidade de CO2) é extremamente controlado. O resultado final é a produção de vários embriões que posteriormente serão selecionados e transferidos do ambiente laboratorial para o ambiente uterino de uma receptora previamente sincronizada.
Os resultados desta biotecnologia têm demonstrado que uma vaca doadora tem a possibilidade de gerar cerca de 30 a 36 bezerros por ano, ao contrário de outros métodos que permite à fêmea, apenas, a produção de um bezerro por ano como é no caso da inseminação artificial e da monta natural. Esta possibilidade de gerar um número bem maior de descendente é uma das vantagens que está atraindo cada vez mais os produtores a implantarem este método em seu plantel.
A PIV de embriões oferece inúmeras vantagens, tais como: obtenção de embriões viáveis a partir de fêmeas inaptas a produzirem descendentes pelas técnicas convencionais ou por apresentarem infertilidade devido a distúrbios no sistema reprodutivo da doadora; recuperação de oócitos imaturos de fêmeas de diferentes idades: pré-púberes (antes da maturação sexual), púberes, adultas, velhas, gestantes até o 3º ou 4º mês de gestação e no período pós-parto.
Em casos de morte súbita ou sacrifico às fêmeas que possuem um alto valor genético podem ter seus oócitos recuperados, nestes casos os ovários são retirados imediatamente após a morte da fêmea e enviados ao laboratório para tentar recuperar os oócitos para a produção dos embriões. A técnica também permite a utilização de uma única dose de sêmen para várias doadoras e não se utiliza hormônios para a recuperação dos oócitos.
Há algum tempo os tropeiros associados da PBR estão investindo pesado no melhorando genético de seus touros e de seus descendentes. Exemplo concreto deste investimento é o tropeiro e sócio da empresa de genética da ABBI Brasil, Paulo Emílio. Certamente, Paulo é um dos adeptos a essa biotecnologia da reprodução. Bandida, filha do touro Bandido, é uma das doadoras de seu plantel que está produzindo embriões através FIV. Atualmente, já foram produzidos vários embriões da Bandida com os touros: Estradeiro, Europeu, Dilúvio, Mutante, Aspirante, Axor e Big Brother. A tendência é aumentar cada vez mais a aplicação das biotecnologias da reprodução nos animais de pulos, já que desta forma os tropeiros irão obter produtos de altíssimo valor genético e com uma excelente aptidão para exercer suas funções nas arenas da PBR.
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